nem tudo é poesia.
sim, tudo é poético.
necessário ver estranhado.
tua ausência, não poesia,
cheia de tons pelo verso,
é poética. enternece.
na carência, há beleza?
sempre é belo o olhar da alma
quando vai além do além.
eis ali do horizonte, o sol brilha.
vespertino-matutino
sinto-me crepúculo no coração.
vir à luz, destruindo noites;
vir às trevas, construindo dias.
anoitecer e amanhecer.
aurora em crepúsculo.
paz de guerreiros,
rebelião de fustigadas;
inversão de papéis, juízos.
crepúsculo em escurecer .
instante mágico entre foi-será.
acabou dia, chegará noite;
dia chegará, noite acabou.
sinto-me crepúsculo no coração.
vir à luz, destruindo noites;
vir às trevas, construindo dias.
anoitecer e amanhecer.
aurora em crepúsculo.
paz de guerreiros,
rebelião de fustigadas;
inversão de papéis, juízos.
crepúsculo em escurecer .
instante mágico entre foi-será.
acabou dia, chegará noite;
dia chegará, noite acabou.
sinto-me crepúsculo no coração.
requiem aeternam dona eis, domine. et lux perpetua luceat eis.
calou-se o 048.
conversas triviais, simples informações
e dizeres do dia-a-dia. domingueiras.
ditos complicados, afetivos,
cheios de significados. domingueiros.
dói aqui, fui lá, a festa foi boa.
tua irmã está assim,
teu irmão fez isto,
teu sobrinho passou...
o São Roque está lindo!
coisas assim, construtoras da vida.
outras difíceis, desafiadoras do coração.
a distância, mesmo que por um instante,
tornava-se amorosamente perto.
No último domingo de tua voz,
(quem poderia imaginar que seria o último)
foram ditas, fracas mas audíveis,
o resumo de tua vida.
Está tão bom:
Carmela, Eunice, Eliete,
Vanilda, Amábile, teus irmãos e irmãs,
estão aqui... aqui estiveram...
quando virás?
(seria mais rápido do que imaginávamos,
naquele início de noite, despedida).
não sei, disse eu
(tentando ao máximo adiar
o que seria tão breve).
estou bem cuidada!
pessoas enchiam tua vida,
envolver-te com elas,
construir sonhos coletivos.
tua missão: cuidar, zelar, proteger.
fostes cuidada até o fim.
e na tua lucidez eterna,
partistes, para sempre estares aqui.
dona Adélia, minha mãe.
resta-me a pergunta:
qual é agora o código do telefone?
conversas triviais, simples informações
e dizeres do dia-a-dia. domingueiras.
ditos complicados, afetivos,
cheios de significados. domingueiros.
dói aqui, fui lá, a festa foi boa.
tua irmã está assim,
teu irmão fez isto,
teu sobrinho passou...
o São Roque está lindo!
coisas assim, construtoras da vida.
outras difíceis, desafiadoras do coração.
a distância, mesmo que por um instante,
tornava-se amorosamente perto.
No último domingo de tua voz,
(quem poderia imaginar que seria o último)
foram ditas, fracas mas audíveis,
o resumo de tua vida.
Está tão bom:
Carmela, Eunice, Eliete,
Vanilda, Amábile, teus irmãos e irmãs,
estão aqui... aqui estiveram...
quando virás?
(seria mais rápido do que imaginávamos,
naquele início de noite, despedida).
não sei, disse eu
(tentando ao máximo adiar
o que seria tão breve).
estou bem cuidada!
pessoas enchiam tua vida,
envolver-te com elas,
construir sonhos coletivos.
tua missão: cuidar, zelar, proteger.
fostes cuidada até o fim.
e na tua lucidez eterna,
partistes, para sempre estares aqui.
dona Adélia, minha mãe.
resta-me a pergunta:
qual é agora o código do telefone?
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